sábado, 5 de agosto de 2017

Descaso público com o centro histórico de Santo Antônio de Lisboa




TOMBAR SÓ NÃO ADIANTA


Tombada recentemente pelo IPHAN, a tradicional vila de Sto. Antônio de Lisboa, vem sofrendo um perigoso processo de descaracterização, que se não for freado a tempo comprometera, irreversivelmente,  aqueles valores que tornaram o bairro tão aprazível e único.

A falta de uma normatização que leve em conta a identidade cultural, visual e ambiental do centro histórico, tem permitido as maiores aberrações e as mais absurdas e descabidas interferências, que aos poucos vão desfigurando e poluindo o local.

Placas comerciais colocadas a esmo por todo lado, barracas construídas sobre as calçadas já estreitas, comprometendo não só a estética como a própria segurança dos pedestres, churrasqueiras improvisadas ocupando indevidamente o espaço público, trailers instalados em locais inapropriados, e, absurdo dos absurdos, mesas de plástico e araras com roupa usada, expostas nos finais de semana em plena área tombada sem a mais elementar preocupação estética.


                  Centro histórico de Santo Antônio de lisboa: INACREDITÁVEL!

Essa coluna seria insuficiente para listar todas as mazelas, que incluem também a poluição sonora de um estridente exaustor instalado por um restaurante no centrinho histórico...  Agora, para complementar resolveram fechar a Rua Cônego Serpa todos os finais de semana para fazer apresentações de pagode, mesmo existindo no mesmo local o Clube Avante, que poderia se fosse o caso, sediar as apresentações para evitar os transtornos e perturbações de toda espécie que esse tipo de evento provoca. 

Mas o bom senso infelizmente não tem prevalecido. Por interesses puramente argentários mal camuflados, compromete-se todo o ambiente, descaracterizando-o, retirando-lhe a identidade e o rosto, matando a própria galinha dos ovos de ouro. Se nada for feito, em breve, Sto.  Antônio de Lisboa será apenas mais um não lugar, desfigurado, poluído em todos os  sentidos e sem alma.


 A educação de uma comunidade mede-se entre outras coisas pela maneira como são tratados seus valores, dentre os quais se incluem a estética e harmonia dos espaços públicos.


sábado, 22 de julho de 2017

VIGÍLIA DO CORPO - as artes da presença do Cena 11 no espaço claraboia do masc

Cena 11 - foto: Cristiano Prim

Após a antológica ocupação do Máquina Orquestra, ninguém melhor que o grupo CENA 11 liderado por Alejandro Ahmed, para dar sequência ao projeto CLARABOIA do MASC.

A ativação dos sentidos,  através da percepção dos sons proposta pela vivência multisensorial realizada pelo Máquina Orquestra, no  caso do Cena 11,  acontece e concretiza-se pela ação corporal proposta,  que de forma ininterrupta, busca reinventar nossa percepção do tempo-espaço.

A consciência do próprio corpo e sua posição no espaço, a percepção como estratégia de conhecimento,  a criação de um espaço existencial,  capaz de ser conquistado por cada um a partir da descoberta e vivência  de sua própria corporeidade,  são algumas das características que  distinguem os conceitos operatórios do Cena 11 dos demais grupos de dança.

Seus intérpretes  não se limitam jamais a executar simplesmente uma coreografia  previamente ensaiada e repetida a cada apresentação.  Sua escrita do movimento privilegia a construção de singularidades que acontecem na própria ação que fabrica a temporalidade,  e lhe da um corpo no aqui e agora sem antes nem depois.

A  ocupação-residência  apresentada na Claraboia,  foi pensada especialmente para o espaço onde ocorrem as apresentações. A ação, que utiliza objetos cênicos   e sons característicos das montagens do grupo, propõe-se a criar um ato poético único que pode ter um efeito perdurável se continuar vivo na mente do espectador.

Buscando vivenciar situações a partir da percepção  do local onde vão ocorrer as performances, os integrantes do grupo, partindo do princípio que sempre os norteia, de que o corpo jamais vai estar separado do espaço onde está inserido, criaram uma proposta de OCUPAÇÃO\RESIDÊNCIA para a CLARABOIA do MASC  pautada pelas condições específicas do local.

As apresentações do CENA 11, costumam  evitar os limites e separações entre palco e plateia, para desta forma potencializar um espaço   indefinido que permita uma proximidade física, um estar junto, um livre acesso ao processo  que o grupo criou  de investigar a  própria natureza da dança encarada como forma particular de conhecimento e comportamento do corpo.

A apresentação inicia com a entrada dos  bailarinos-performers, alguns com máscaras   e pinturas corporais. Sentados em   assentos revestidos de negro colocados nos extremos da sala, permanecem por vários minutos em silêncio, imóveis, concentrados e voltados cada qual para sua própria interioridade, de onde desabrocharão na sequência as ações, gestos, sons e gritos primais.

Performando por todo  o espaço da CLARABOIA, misturam-se aos espectadores, envolvendo-os visceralmente no desenrolar das ações com suas descargas impulsivas,  que permitem exteriorizar e fazer aflorar na consciência, pulsões e energias reprimidas no inconsciente.  Num outro ponto da sala, uma  caixa negra recoberta  por guizos sugere um altar estranho e  pulsante e serve de base para hastes   utilizadas na performance.

A   ação do Cena 11 desenvolve-se a partir desse espaço da CLARABOIA,  que transforma-se em espaço existencial.  Em lugar da  assepsia do cubo branco, que utiliza conceitos espaciais tradicionais  e redutores da potência da obra aberta, o que se propõe agora são novos parâmetros como caminho e direção, lugar e centro, campo de ação, dentro e fora.

A experiência sutil do corpo no espaço que o CENA 11 incorpora à suas performances num constante desafiar das leis da gravidade,  convida o espectador  a converter-se  em protagonista.

Suas propostas sempre buscaram o envolvimento da plateia, fazendo com que a mesma não permitisse que o espaço a afetasse passivamente, mas que interagisse tornando-se coautora das ações.

Na montagem da Claraboia, por tratar-se de um espaço diferenciado não existe a separação palco-plateia tradicional dos teatros. Porém, o círculo natural  que os espetadores formam para assistirem a apresentação acaba por recriar  a mesma separação entre público e ação cênica.

Caminhando e desenvolvendo suas performances do centro da cena para o meio do próprio espaço ocupado pelos espectadores, os bailarinos eliminam os limites, aproximam-se e inserem-se na plateia, fazendo com que se absorva e descubra o significado intrínseco das ações e acontecimentos realizados, despertando em cada um  o impulso de experenciar   o seu espaço interior e exterior, caminhando  por ele, tocando-o, ouvindo-o,  sentindo-o  e percebendo-o em toda sua plenitude e potência.

Essa proposta da plateia como espaço  cênico acompanha o grupo desde as suas origens e estabelece uma proximidade, um estar junto que conecta e transforma.

Para Alejandro, mentor intelectual do grupo, a percepção ocorre não só no cérebro mas como um tipo de estratégia cognitiva que acontece no corpo como um todo em sua interação com o ambiente, incluindo leis naturais de sobrevivência.

ADESÃO AO NÃO ESQUECIMENTO  tem a  impactante trilha sonora de Hedra Rockenbach. Logo em seu início, ouvem-se sons graves de percussão sugerindo tambores ou batidas do coração, esses sons mecânicos na sequência da ação são intercalados a estrondos provocados  pelo impacto dos corpos que se arremessam sobre plataformas de madeira colocadas no chão. Essas  quedas características do CENA 11 com os corpos dos bailarinos  desafiando a lei da  gravidade, lembram sempre que é através de nossa relação com seus princípios que percebemos a natureza de nossa  própria existência.

Na ocupação da claraboia,   estratégias, movimentos e ações que marcaram  diferentes espetáculos da trajetória do grupo são citados, mesclados a elementos novos que surgem  evocando a tradição das danças sagradas orientais tais como fragmentos dos giros sufis, catarses  corporais das incorporações dos cultos afro, ou elementos indígenas que insinuam-se no caminhar cadenciado dos bailarinos,  marcado pelo ritmado balançar dos guizos anexados ao corpo.

A inquietação, questionamento, a experimentação tornam a obra de Alejandro e do Cena 11 uma criação permanente, variação continua onde nunca há um fim ou um ponto de chegada.

A ação-performance-ritual que ocupa  a Claraboia do MASC, pautada nos padrões técnicos e estéticos que fizeram o grupo  ser considerado como um dos mais relevantes da cena contemporânea  nacional,  expressa o próprio sentimento  de 'estar no mundo' do grupo, interagindo, questionando, recomeçando e refazendo tudo a cada novo passo.

Alejandro Ahmed  e o próprio Cena 11 que pode ser considerado como uma extensão sua, encarna o próprio mito de Sísifo,  que na sua  eterna ação de resistir e continuar, revela a fonte da criatividade contida no indivíduo, sua atitude heroica demonstra que só através da criatividade humana  as coisas podem mudar. 

Não é nada fácil  e cada um tem que encontrar a sua maneira de não desistir diante de tantas dificuldades. O Cena 11, que foi sempre um grande viveiro de ideias,  através de experimentações centradas no corpo e no seu existir no espaço, encontrou sua  própria maneira de ser e de trilhar um caminho que tem levado a descobertas antológicas, que ressignificam o espaço da dança como  continuação e fragmento da realidade, reinventando nossa  própria percepção de ESPAÇO-TEMPO.





quinta-feira, 29 de junho de 2017

SAULO FALCÃO - Uma arte que nasce da pura invenção!

Gado no Pasto na Neve- Saulo Falcão


Dentre  as mil e quatrocentas obras inscritas na décima terceira edição da  BIENAL NAIFS DO BRASIL 2016, promovida pelo SESC PIRACICABA SP, foram selecionadas cem, sendo uma delas de autoria de Saulo Falcão, artista outsider nascido em Santo Antônio de Lisboa e lançado pela Casa Açoriana, que acompanha todo seu percurso tendo inclusive realizado uma mostra individual de seus trabalhos em 2016.

A Bienal, apresentada inicialmente  no SESC Piracicaba, foi, devido ao sucesso, remontada desde abril no SESC Belenzinho da capital paulista, onde permanecera exposta até julho próximo.

Como artistas convidados participam da Bienal da qual Saulo faz parte,  os artistas: VOLPI, CICERO DIAS, DJANIRA, GUIGNARD, FLAVIO DE CARVALHO, VANIA MIGNONI, JORGE GUINLE, MONTEZ MAGNO, JOSÉ CLAUDIO e vários ouros nomes de igual importância.

A pintura de Saulo intitulada Gado no Pasto na Neve foi incluída no módulo Pictórico da Bienal, definido pela curadoria como representativo  do “desejo pela pintura que se interpõe a narrativa e que desejante, delira.”

Diagnosticado na adolescência como esquizofrênico, Saulo começou a pintar a cerca de dez anos, quando através da Casa Açoriana teve acesso aos pincéis, telas e tintas. Sua produção inicial dividia a tela em planos sobre os quais aplicava as cores chapadas com limites geométricos bem precisos. Aos poucos foi cobrindo as superfícies com sobreposições de pinceladas  gestuais de  forte  carga expressiva deixando-se cada vez mais levar por aquilo que no  livro catálogo da Bienal foi definido como ‘O desejante da pintura’. Quando se deseja, deseja-se o todo da cor, da tinta, da  massa, do escorrimento, do volume, da superfície, do espaço.

Dando vazão, através da arte, as imagens, símbolos, memórias, sonhos, fantasmas e fantasias interiores, Saulo conseguiu, de certa forma, reorganizar o caos de seu mundo interior, conturbado  e desestruturado pela doença. Parou de ouvir as vozes que o atormentavam e de ter os delírios alucinatórios frequentes  que acometiam sua mente perturbada.

Saulo Falcão frente a seus trabalhos em sua primeira individual.

 Não se pode dizer que ficou curado, ainda acontecem surtos agravados pela dependência química, mas a arte sem dúvida auxiliou-o a reorganizar seu centro, vir a tona das profundezas do seu delírio, e ter uma vida mais ou menos dentro dos parâmetros socialmente aceitos.


O vigor e a desinibida expressividade de sua arte, indômita e furtiva, como uma criatura selvagem, incluem sua pintura no que se convencionou chamar de “ART BRUT”, um tipo de arte que segundo o artista francês Jean Dubuffet “é uma arte que nasce da pura invenção e que jamais se baseia, como faz a arte cultural com frequência, em processos que evocam o camaleão o papagaio. “

O impulso primordial do homem de observar, criar e desenvolver seu vocabulário visual pessoal, atestado  por ações que vão desde as pinturas rupestres das cavernas  até os grafites anônimos dos muros de nossas cidades,  enfatizado pela  Arte Bruta,  levou  Jean Dubuffet e os críticos André Breton  e Michel Tapié a fundarem em 1948 a  Compagnie de l´ Art Brut,  com o objetivo de colecionar e estudar esse tipo de arte que até então existira paralelamente ao mundo oficial da arte.

A ênfase dada por Dubuffet á fonte intuitiva e primordial da arte foi compartilhada por figuras associadas à arte informal, ao expressionismo abstrato e ao grupo Cobra.

Um dos integrantes do Cobra, que dissolveu-se em 1951, o belga holandês Corneille chegou a vir a Santa Catarina anos mais tarde, para conhecer pessoalmente a artista brut Eli Heil, da qual adquiriu obras, deixando registrado no livro de presenças da artista um texto onde a considerou  como uma irmãzinha menor de Van Gogh.

As  buscas da completa liberdade de expressão, e da necessidade primordial do homem de expressar seus desejos, fossem eles belos ou violentos, celebrantes ou catárticos, que fizeram Dubuffet interessar-se  por pinturas, desenhos e esculturas feitas por pessoas sem treinamento em arte a salvo das convenções sociais, da formação acadêmica e portanto livres para criarem obras de verdadeira expressividade,  compartilhadas depois  pelos integrantes do Cobra, deram de certa maneira continuidade ao projeto iniciado pelos surrealistas, no sentido de liberar o inconsciente e de subtrair-se ás influências "civilizadoras"  da arte.

domingo, 4 de junho de 2017

O SOM E O SENTIDO DAS 'PALAVRAS EM MOVIMENTO' DE ARNALDO ANTUNES NO MASC




Buscando encontrar correspondências entre som, palavra, música e seus correlatos gráfico-visuais, Arnaldo Antunes, através da reunião de trabalhos seus provenientes de diferentes períodos, montou a mostra PALAVRAS EM MOVIMENTO, exposta atualmente no Museu de Arte de Santa Catarina (até 2 de julho). A exposição vista em seu conjunto funciona como se fosse um grande espelho, cujos fragmentos refletem a relação de forças e o pensamento dilacerado de nossa civilização.
A busca de estabelecer relações entre palavra, som, imagem, a ênfase nos aspectos gráficos e fonéticos da escrita, bem como o papel de protagonista principal atribuído a palavra-objeto,  filiam a produção deste artista aos postulados concretistas, cujos reflexos são perceptíveis também em suas criações no campo das artes visuais.
O valor de linguagem visual da expressão gráfica da escrita alfabética e sua expressividade independente, tornam-na capaz de dar uma verdadeira dimensão espaço-temporal ao pensamento humano traduzido em palavras.


PALAVRAS EM MOVIMENTO possibilita reflexões muito oportunas nesse momento crucial de impasses que nossa civilização enfrenta. Não se trata de uma proposta meramente formalista (crítica, aliás, descabida, que já se tornou usual ao se falar do concretismo paulistano). Marcas do homem deixadas em seus traçados, as letras, no fundo, são essencialmente sons.
Nada mais natural portanto, que o ponto de partida para a mostra PALAVRAS EM MOVIMENTO,  tenha sido as palavras, as  letras, seus sons e sentidos.
Criador versátil e complexo, misto de músico, compositor, poeta e artista visual, Arnaldo Antunes, durante décadas, desenvolveu e aprofundou pesquisas explorando os mais variados meios de expressão. A densidade, desdobramento poético e rigor de construção das obras que criou em seu percurso até o período atual, podem ser conferidos no conjunto de trabalhos que o MASC expõe.
Logo no inicio da individual, o visitante depara com uma porta branca entreaberta fixada sobre uma base através de um eixo que permite o movimento de abrir ou fechar.
 Iniciando a sequência de obras expostas uma série de pequenas colagens da década de 1980, mesclam fragmentos de textos e imagens, intercalando elementos que vão se articulando em torno de coordenadas que organizam  o espaço de forma dinâmica.
Nas obras que vem a seguir, é a própria palavra e letra-signo que se impõe como principal elemento plástico, com elas são exploradas as mais infinitas variações,  combinações e possibilidades formais.

Utilizando como suporte as mais diversas mídias, o  artista criou relevos de parede que avançam visualmente buscando a tridimensionalidade, mobiles constituídos por letras penduradas, objetos e montagens que se instalam no espaço, ou grafismos gestuais executados sobre papéis especiais, sempre obedecendo a uma lógica formal rigorosa e consistente. Numa dessas montagens de formato circular, que pode ser movimentado pelo espectador, letras e palavras construídas com formas vazadas de metal giram numa lúdica e engenhosa moviola.
Outras obras, estruturas em metal vasado, configuram objetos cujas superfícies, recortes e suas projeções de luz e sombra, articulam jogos de palavras pelo deslocamento de letras como é o caso de MIND WIND.

       Em outro objeto com base de madeira, a sobreposição de placas transparentes com a palavra “ANTE” em primeiro plano e “TRANSPIR” inscrita no plano mais ao fundo provoca  o movimento visual do texto que muda de posição no espaço conforme o posicionamento do observador.




O movimento real ou virtual de letras, palavras e imagens, presente em praticamente toda a mostra, ocorre igualmente nas projeções de sons e imagens dos pequenos clips, ou nos efeitos visuais dos conjuntos de monitores acoplados que justapõe fragmentos de cenas urbanas captadas nas andanças do autor. Esses monitores, com suas imagens e textos que se sobrepõe de forma dinâmica e evocativa, lembram os Cartemas de Aluísio Magalhães que justapunha módulos invertidos de cartões postais na busca de estruturar uma nova poética visual.


A articulação espacial das PALAVRAS EM MOVIMENTO expostas no MASC, permite, através da decodificação que cada um faz das palavras, sons, e signos propostos, uma recepção sempre nova por parte do observador em seu trânsito pelo espaço expositivo.
A porta branca semi-aberta instalada logo na entrada da mostra  propõe, ao visitante, possibilidades de ingressar num mundo de percepções novas sobre o sentido das palavras, das imagens, dos signos e do próprio som, faz refletir sobre um trecho da obra sonora ORÁCULO,  que faz parte  da instalação sonora onde fones de ouvido reproduzem textos ou trilhas sonora do autor. Nesse trecho o poeta pondera se não seria atualmente a arte o lugar daquilo que as desaparecidas religiões e filosofias chamavam de ESPIRITUALIDADE.
Bela e oportuna reflexão, que induz a buscar respostas ou novas interrogações, ao tentarmos juntar os cacos do grande espelho fragmentado que reflete com precisão as perplexidades e impasses do pensamento dilacerado do homem contemporâneo.